Um dia que deve entrar para a história do hip-hop brasileiro. Foi assim a última quinta-feira na calorenta cidade de São Paulo.

O diretor de cinema Spike Lee se encontrou pela primeira vez com os Racionais MCs. O objetivo foi a entrevista para o documentá¡rio “Go, Brazil, Go!”, sobre a história recente do nosso país e com depoimentos importantes como o da presidente Dilma Rousseff e do cantor Gilberto Gil.
O encontro entre Spike e os manos do Racionais foi um marco na luta pelos direitos da população negra mundial. No cinema Spike é responsável por filmes revolucionários como “Faça a Coisa Certa”, com trilha sonora do Public Enemy, e a cinebiografia do Malcom X. Do lado de cá, os Racionais MCs criaram uma nova linguagem para a música jovem brasileira e conseguiram, com isso, mudar a realidade nas periferias de todos os cantos do paí­s.
O documentá¡rio deve ficar pronto ainda este ano. Na passagem pelo paí­s, o diretor também entrevistou os rappers Emicida e Rappin’Hood.
A jornalista Ana Paula Alcântara, assessora de imprensa da produtora Boogie Naipe, empresa responsável pela carreira dos Racionais MCs, gentilmente escreveu um texto sobre o seu ponto de vista do encontro. Com a sensibilidade de quem entende toda a luta e caminhada do grupo, soube muito bem descrever o encontro. Com vocês o texto da Ana.
“Dizer que esse encontro foi metódico, exaustivo, emocionante, histórico, é falar a verdade e ser óbvia demais, mas não posso deixar de falar, foi tudo isso sim e mais, foi um encontro feliz onde tanto os entrevistados quanto o diretor queriam estar ali, ninguém foi obrigado, foi escrito, foi destino, por isso tudo fluiu tão bem.
 
A entrevista foi sobre a carreira do Racionais então ser breve não seria fácil, falar de 25 anos de luta em 10, 15 minutos não seria justo, por isso ela durou muito mais. Uma pergunta gera sempre 4 respostas, pois estamos falando dos 4 pretos mais perigosos do Brasil, mas são quatro pontos de vista lúcidos e sóbrios nunca iguais mas sempre autênticos.
 
Reunir nomes tão famosos gera barulho, ainda mais se você pensar em personalidades fortes e polêmicas. Para mim foi como reunir vários leões dentro do mesmo ecossistema, algo incrí­vel, mas que teria e foi real.
 
Mais que isso, arrisco dizer que foi visceral, pois todos são guerreiros da mesma luta e tem as mesmas ambições, a frase do Spike Lee foi certeira, “Temos a mesma origem, somos africanos”, ou seja, nem Brasil, nem EUA, todos ali são filhos da África e seus irmãos vieram para a América daquele jeito que nós sabemos, pela força dos colonizadores e que até hoje ditam o comportamento deste povo oprimido. Porém todos ali fazem do seu trabalho, seja um rap ou um filme, um forte instrumento capaz de lutar pela igualdade racial, a tal almejada “fórmula mágica da paz”.