O filho de Dona Ana presenciou um período de transição mesmo, a música era um balanço e a onda começara ali nas ruas e praças de São Paulo no fim dos anos 80, mais precisamente na lendária estação São Bento.

Com a ousadia da juventude e sem planejamento, os passos de Pedro Paulo e Paulo Eduardo os fizeram encontrar com Edivaldo e Kleber, dois jovens negros como eles que tocavam em festas da zona norte. A situação se construía assim e, se firmou depois de uma audição no centro da capital paulista. Desse encontro surgiu o interesse primeiramente só pelo Edi Rock e depois pelos quatro na carona mesmo. Surgia então a participação no primeiro volume da Coletânea Consciência Black, álbum que reuniu vários nomes pioneiros do Rap Brasileiro.

Não havia pretensão de profissão foi um encontro que deu certo e sob a batuta de Milton Salles os quatro jovens gravaram “Pânico na Zona Sul” e “Tempos Difícieis” que integrou o primeiro Disco da série “Consciência Black” de 1989 pelo selo da Zimbabwe. Esse foi o primeiro registro musical, mas ainda não existia o Racionais. Essa experiência aproximou os jovens e estreitou os laços de amizade e afinidade com a música e com o movimento hip hop. Mano Brown gostou muito da forma como KL Jay tocava, pois desde o começo ele já tirava sons a frente de seu tempo com uma tecnologia limitada, pois estamos falando dos anos 80 para os 90. Ao mesmo tempo que KL Jay admirou de primeira as rimas e o jeito autêntico de Mano Brown cantar.

De lá para cá o discurso e o conhecimento dos caras se expandiu e amadureceu fazendo com que o Racionais se tornassem o grupo e a voz da periferia. Com o grupo Mano Brown gravou 6 discos sendo que o último em 2002 foi lançado em DVD. Para o rapper o ano de 2002 foi inesquecível pelas muitas lembranças boas, o campeonato do Santos e a vitória de Lula nas eleições presidenciais. Relembrar toda a discografia recheada de clássicos é olhar um legado com muitas músicas são simbólicas e carregadas de verdade.