Na adolescência Ice Blue o amigo Pedro Paulo, hoje Mano Brown, conheceram e curtiam juntos os bailes blacks, onde a música negra era cultuada. Ao som do funk de James Brown, do balanço de Marvin Gaye e de tantos outros nomes fortes da música negra americana, os dois foram conhecendo e criando suas referências musicais. No final dos anos 80 eles e tantos outros jovens das periferias de São Paulo, como Thaíde e DJ Hum foram testemunhas dos primeiros passos do Rap brasileiro.

O Rap foi surgiu underground. Órfão de pai e mãe e se desenvolveu na raça de quem o fazia nos anos 80 segundo Ice Blue. Paralelo ao movimento crescente do samba que foi visto com bons olhos pelo mercado, o gênero não foi aceito e sobreviveu de forma independente e teimosa pelas mãos de quem o fazia mesmo, com a cara e a coragem, sem respaldo de ninguém.

Ice Blue lembra que os eventos naquela época eram feitos sem preparo, por pessoas que gostavam do Rap, mas que eram bem amadores, não eram formados em administração, marketing ou logística. Ele lembra que o Rap só se tornou reconhecido como gênero musical quando alcançou números expressivos.